1 de junho de 2012

O desafio nosso de cada dia


“Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma”? (Mateus 16:24-26)
            São com estes versículos que iremos caminhar nas palavras do nosso mestre que sempre tinha algo importante a nos dizer, mesmo quando sua fala era mais dura. Em tempos onde o individualismo tem sido a grande marca da contemporaneidade, Cristo diz algo que vai contra nosso ego quando nos desafia a abnegação como fator sublime aos que adentram ao Reino de Deus.
            É interessante notarmos que seguir a Cristo, é muito mais do que um simples levantar de mãos, ir à frente durante um apelo ou algo semelhante. É trilhar por um caminho sem volta e estar aberto para novas possibilidades de existir e de ter sua essência transformada pelo Espírito Santo de Deus.
            Em nosso andar diário homens e mulheres são chamados a renunciarem seu egoísmo em prol do Reino de Deus. Na lógica do Reino, aquele que perde sua vida por amor a Cristo, encontra-se e nunca mais se perde. Ainda que possamos trilhar por curvas sinuosas e cheias de perigos, temos a confiança de que Ele não nos deixa pelo caminho.
            A salvação é muito mais que meramente sairmos ilesos do fogo ardente do inferno como comumente se imagina. Este pensamento medievalista que amedronta ao invés de gerar em nós a shalom de Deus, não pode ser considerado evangelho. Vivemos dias difíceis nesta sociedade cada vez mais doente e violenta.
            Na reflexão do sociólogo Zygmunt Bauman lemos: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar”. Daí podemos observar que o mundo vive constantes mudanças que tem levado diversas pessoas à solidão, ao estresse, síndrome do pânico e tantas outras mazelas que esta sociedade tem produzido com seu lixo biopsicosócioespiritual. Esta mesma sociedade que cria suas mazelas é a mesma que precisa mantê-la refém de si mesma para obter adeptos dos psicotrópicos que faturam bilhões com as doenças que ela cria.
            Porém, a proposta de Jesus nos evangelhos é a do despojamento do ser e do encontro com a vida. Entenda que esta vida não é algo subjetivo e alienante, mas um encontro com uma pessoa. João no seu evangelho compreendeu perfeitamente isto quando escreveu estas palavras de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”.
            Em um mundo cada dia mais complexo, somos levados a ressignificarmos nossa jornada de fé ao lado de Jesus e de seguirmos o caminho da renúncia, não como um fardo e jugo pesado, mas como aqueles que receberam à vida em nossos corações e mentes para demonstrarmos que vale a pena caminhar apesar das intempéries desta vida.
Marco Carvalho

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