28 de agosto de 2012

PLANTANDO HOJE AS ALEGRIAS DE AMANHÃ - PARTE I

 
REFLEXÃO EM GÁLATAS 6:1-10

Plantar alegria num mundo tão perverso como temos visto não tem sido uma tarefa simples. O meu desejo neste texto é que ao lermos possamos desfrutar de algo maravilhoso da palavra de Deus para o seu coração. Como plantar hoje para obtermos alegria amanhã?

I – CARREGANDO OS FARDOS UNS DOS OUTROS (v. 1-5)

            O legalista não está interessado em carregar fardos. Em vez disso, coloca ainda mais fardos sobre os outros (At 15:10). Esse era um dos pecados dos fariseus do tempo de Jesus: "Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-Ios" (Mt 23:4). O legalista é sempre mais severo com outras pessoas do que consigo mesmo, mas o cristão guiado pelo Espírito exige mais de si mesmo do que dos outros, para que possa ser capaz de ajudar os outros.
             O termo surpreendido indica que não se trata de um caso de desobediência deliberada. Por que Paulo usa essa ilustração? Porque nada revela de maneira mais clara a perversidade do legalismo do que a maneira como os legalistas tratam aqueles que pecaram. Podemos nos recordar do caso dos fariseus que arrastaram até Jesus uma mulher que havia sido pega em adultério no evangelho de João capítulo 8. Os legalistas não precisam de fatos; precisam apenas de suspeitas e boatos.
            O termo "corrigir" também pode ser traduzido por "restaurar" e, nesse contexto, significa "reparar, consertar uma rede ou um osso fraturado". Eu e você somos chamados por Deus para o ministério da reconciliação e não o da acusação. Não devemos ficar legislando sobre a vida dos irmãos que caem em pecado.
            A maneira como essa restauração deve ser feita é com mansidão e não com aspereza ou dureza. Quando alguém se quebra, desvia ou cai, precisa de mansidão e cuidado e não de uma imposição. Em Mateus 18.15, lemos: “Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão”. O objetivo não é condenar ou livrar-se de seu irmão, mas ganhá-lo.
            É interessante que, ao longo dessa carta de Gálatas, o apóstolo Paulo fala várias vezes contra a idéia de seguir o legalismo judaico para ser salvo. No entanto, no versículo 2, ele diz para cumprirmos a lei de Cristo: Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo. A lei à qual o apóstolo faz referência nesse versículo é a lei do amor incondicional e não a tradição religiosa.
            Nos versos 2 e 5 parece existir uma contradição. Porém, esta aparente contradição é explicável pois são usados dois termos gregos diferentes, o primeiro é traduzido por cargas e o segundo, por fardo. Em Gálatas 6:2 a palavra significa "uma carga pesada", enquanto em Gálatas 6:5 descreve "a mochila de um soldado". Devemos ajudar uns aos outros a carregar os grandes pesos da vida, mas há certas responsabilidades pessoais que cada um deve carregar sozinho. "Cada soldado deve levar sua própria mochila". Existem responsabilidades na caminhada de vida cristã que não podemos transferir para outros. Ler a palavra, orar, ter uma vida em santidade, educar os filhos, escolha de um emprego, etc. Podemos receber conselhos mais a decisão é pessoal e intransferível.
            O cristão guiado pelo Espírito aborda a situação com um espírito de mansidão e de amor, enquanto o legalista demonstra uma atitude de orgulho e de condenação. O legalista não precisa "guardar-se", pois finge que jamais seria capaz de cometer tal pecado. No entanto, o cristão que vive pela graça sabe que ninguém está livre de cair. "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (1 Co 10:12). Sua atitude de humildade é decorrente da consciência das próprias fraquezas.
 
Continuamos no próximo post...
 
 Marco Carvalho


 

16 de agosto de 2012

Se eu tiver fé, poderei fazer mais milagres que Jesus? DITOS DIFÍCEIS DE JESUS - IV

"Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai" (João 14.12).

            Jesus fez esta promessa aos seus discípulos na noite em que foi traído, antes de ir com eles para o Getsêmani, durante o jantar em que instituiu a Ceia. O Senhor falou que iria para o Pai preparar lugar para os discípulos (Jo 14.1-4), e em seguida explicou como eles chegariam lá (14.5-6). Respondendo ao pedido de Filipe para que lhes mostrasse o Pai, Jesus explica que Ele está de tal forma unido ao Pai, que vê-lo é ver o Pai (14.7-9). E como prova de que Ele está no Pai e o Pai está nEle, Jesus aponta para as obras que realizou (14.10-11). E em seguida, faz esta promessa, “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12).
            Este dito de Jesus é difícil porque parece prometer que seus discípulos seriam capazes de realizar os milagres que Ele realizou, e até mesmo maiores, se somente cressem nEle – e pelo que lemos no livro de Atos e na história da Igreja, esta promessa não parece ter-se cumprido. Compreender o real sentido desta passagem tem se tornado ainda mais crucial, pois ela tem sido usada, após o surgimento do movimento pentecostal e seus desdobramentos, para defender modernas manifestações miraculosas, iguais e maiores dos que as efetuadas pelo próprio Jesus Cristo.
            Há duas principais tentativas de interpretar este dito de Jesus:

1. As “obras” são os milagres físicos realizados por Jesus.
            A interpretação popular e mais comum, aceita pela maioria dos evangélicos no Brasil (esta maioria, por sua vez, é composta na maior parte por pentecostais e neopentecostais), é que Jesus realmente prometeu que seus discípulos seriam capazes de realizar os mesmos milagres que Ele realizou, e mesmo maiores. É importante notar que muitos membros de igrejas históricas, como presbiterianos, batistas, congregacionais e episcopais, entre outros, também foram influenciados por este ponto de vista.

             Nesta interpretação, a palavra “obras” é entendida exclusivamente como se referindo aos milagres físicos que Jesus realizou, como curas, exorcismos e ressurreição de mortos. Os adeptos desta interpretação entendem que existem hoje pastores, obreiros e crentes com capacidade para realizar os mesmos milagres de Jesus – e até maiores. Defendem que curas, visões, revelações e de outras atividades miraculosas estão acontecendo no seio de determinadas igrejas nos dias de hoje, exatamente como aconteceram nos dias de Jesus e dos apóstolos. E desta perspectiva, se uma igreja evangélica não realiza estes sinais e prodígios, significa que ela é fria, morta, sem fé viva em Jesus.

            Apesar desta interpretação parecer piedosa e cheia de fé (e é por isto que muitos a aceitam), tem algumas dificuldades óbvias. Primeira, apesar dos milagres que realizaram, nem os apóstolos, que foram os cristãos mais próximos desta promessa, parecem ter suplantado aqueles de Jesus, em número e em natureza. Jesus andou sobre as águas, transformou água em vinho, acalmou tempestades e suas curas, segundo os Evangelhos, atingiram multidões. Não nos parece que os apóstolos, conforme temos no livro de Atos, suplantaram o Mestre neste ponto. Segundo, a História da Igreja não registra, após o período apostólico, a existência de homens que tivessem os mesmos dons miraculosos dos apóstolos e que tenham realizado milagres ao menos parecidos com os de Jesus. Na verdade, os grandes homens de Deus na História da Igreja nunca realizaram feitos miraculosos desta monta, como Agostinho, Lutero, Wycliffe, Calvino, Bunyan, Spurgeon, Moody, Lloyd-Jones, e muitos outros.
            Os pregadores pentecostais que afirmam ser capazes de realizar milagres semelhantes, e ainda maiores, não têm um ministério de cura e milagres consistente e ao menos semelhantes aos de Jesus. O famoso John Wimber, um dos maiores defensores das curas modernas, morreu de câncer na garganta. Antes de morrer, confessou que nunca conseguiu curar uma criança com problemas mentais, e nem conhecia ninguém que o tivesse feito. Os cultos de cura de determinadas igrejas neopentecostais alegam milagres que são de difícil comprovação. Terceiro, esta interpretação deixa sem explicação o resto da frase de Jesus: “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12). E por último, esta interpretação implica que os cristãos que não fizeram os mesmos milagres que Jesus fez não tiveram fé suficiente, e assim, coloca na categoria de crentes “frios” os grandes vultos da História da Igreja e milhões de cristãos que nunca ressuscitaram um morto ou curaram uma doença.
            Esclareço que não estou dizendo que Deus não faz milagres hoje. Creio que Ele faz, sim. Creio que Ele é poderoso para agir de forma sobrenatural neste mundo e que Ele faz isto constantemente. O que estou questionando é a interpretação desta passagem que afirma que se tivermos fé faremos milagres maiores do que aqueles realizados por Jesus.

2. As “obras” se referem ao avanço do Reino de Deus no mundo
            A outra interpretação entende que Jesus se referia obra de salvação de pecadores, na qual, obviamente, milagres poderiam ocorrer. Os principais argumentos em favor desta interpretação são estes:
a. A expressão “quem crê em mim” é usada consistentemente no Evangelho de João para se referir ao crente em geral, em contraste com o mundo que não crê. Examine as passagens abaixo:

·         Jo 6:35 Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.
·         Jo 6:47 Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
·         Jo 11:25-26 Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?
·         Jo 12:46 Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

            Fica claro pelas passagens acima que aqueles que crêem em Jesus são os crentes em geral, e que a fé em questão é a fé salvadora. Por analogia, a expressão “quem crê em mim” em João 14.12 também se refere a todo crente, e não àqueles que teriam uma fé tão forte que seriam capazes de exercer o mesmo poder de Jesus em realizar milagres – e até suplantá-lo!
b. O termo “obras” referindo-se às atividades de Jesus, é usado no Evangelho de João para se referir a tudo aquilo que Ele fez, conforme determinado pelo Pai, para mostrar Sua divindade, para salvar pecadores e para glorificar ao Pai. Veja estas passagens: Jo 4:34; 5:20,36; 6:28,29; 7:3; 9:3,4; 10:25,32,33,37,38; 14:10,11; 14:12; 15:24; 17:4. O termo “obras” não se refere exclusivamente aos milagres de Jesus, muito embora em algumas ocorrências os inclua.
            No contexto da passagem que estamos examinando, Jesus usa o termo “obras” para se referir às palavras que Ele tem falado: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (Jo 14.10). É evidente, portanto, que não se pode entender o termo “obras” em Jo 14.12 como se referindo exclusivamente aos milagres físicos realizados por Jesus. O termo é muito mais abrangente e se refere à sua toda atividade terrena realizada com o fim de salvar pecadores: palavras, atitudes e, sem dúvida, milagres.
c. A frase “porque eu vou para junto do Pai” fornece a chave para entender este dito difícil. Enquanto Jesus estava neste mundo, sua ação salvadora era limitada pela sua presença física. Seu retorno à presença do Pai significava a expansão ilimitada do Reino pelo mundo através do trabalho dos discípulos, começando em Jerusalém e até os confins da terra.

            Como vimos, as “obras” que Ele realizou não se limitavam apenas aos milagres físicos, mas incluíam a influência dos mesmos nas pessoas e a pregação do Reino efetuada por Jesus. Estas obras, porém, estavam limitadas pela Sua presença física em apenas um único lugar ao mesmo tempo. As “obras maiores” a ser realizadas pelos que crêem devem ser entendidas deste ponto de vista: os discípulos, através da pregação da Palavra no mundo todo, suplantaram em muito a área de atuação e influência do Senhor Jesus, quando encarnado. Adotar a interpretação acima não significa dizer que milagres não acontecem mais hoje. Estou convencido de que eles acontecem e que estão implícitos neste dito do Senhor Jesus. Entretanto, eles ocorrem como parte da obra de expansão do Reino, que é a obra maior realizada pela Igreja.
            
            O dito de Jesus, portanto, não está prometendo que qualquer crente que tenha fé suficiente será capaz de realizar os mesmos milagres que Jesus realizou e ainda maiores – a Escritura, a História e a realidade cotidiana estão aí para contestar esta interpretação – e sim que a Igreja seria capaz de avançar o Reino de Deus de uma forma que em muito suplantaria o que Jesus fez em seu ministério terreno. Os milagres certamente estariam e estão presentes, não como algo que sempre deve acontecer, dependendo da fé de alguns, e não por mãos de pretensos apóstolos e obreiros super poderosos, mas como resposta do Cristo exaltado e glorificado às orações de seu povo.

9 de agosto de 2012

POLÍTICA E RELIGIÃO - PARTE 2 - ALIENAÇÃO


           No último post sobre religião e política, coloquei um vídeo onde o Pr. Silas Malafaia diz claramente que dará seu apoio ao candidato à reeleição o senhor Eduardo Paes. Sempre achei estranha essa participação evangélica na política. Não sou partidário de que cristãos não devam envolver-se em questões de cunho político. A questão é sabermos até onde um pastor ou líder religioso pode ou não influenciar seus liderados para votarem em determinado candidato.
            O meu ponto de reflexão é sobre a mídia como instrumento de alienação política. Diz o ditado popular que uma imagem vale mais que 1000 palavras, e partindo dessa premissa o meu desejo é que tal imagem reflita o atual momento da política brasileira. Estamos em um dos julgamentos mais importantes na história da política nacional e este grande veículo de informação que é a revista supracitada, desvia o foco dos seus leitores para uma das novelas mais assistidas dos últimos anos que é a novela Avenida Brasil.
            Penso que a novela não deva ser mais importante do que o julgamento dos envolvidos nos mensalões. O mais impressionante é saber que muitos evangélicos estão envolvidos nessa maracutaia toda e que em breve retornarão. Do jeito que andam as coisas lá no congresso, me parece que paira um aroma de pizza no ar. Que Deus tenha misericórdia.
continuamos no próximo post...

Marco Carvalho

7 de agosto de 2012

POLÍTICA E RELIGIÃO - PARTE 1

            Estamos acompanhando pelos meios de comunicação o início do julgamento do mensalão. Assistindo os advogados de defesa dos envolvidos nos escândalos, a impressão que tenho é de que tudo acabará em lugar nenhum e que em breve os mesmos estarão sendo reeleitos nos cargos públicos de nossa nação. Está aí a história não tão distante que pode comprovar isto.
            Entretanto, o ponto que gostaria de comentar para nossa reflexão é o apoio de pastores e lideranças evangélicas com candidatos um tanto quanto questionáveis no que tange seus valores, ética e administração da máquina pública. Ao que tudo indica o pastor Silas Malafaia declarou apoio ao candidato à reeleição e atual prefeito Eduardo paz conforme vídeo abaixo:
            Prestem atenção quando ele fala do seu apoio aos 4:30min em diante. Fica claro o total apoio de Silas ao candidato. Qual sua opinião sobre isso? Continuamos no próximo post.
Marco Carvalho

17 de julho de 2012

Nada de novo no mundo político

       No último domingo o programa jornalístico fantástico da rede globo apresentou uma reportagem "bombástica" com Rosane Collor a ex-esposa do ex-presidente Fernando Collor. Acredito que muitos como eu aguardavam revelações que pudessem contribuir para o esclarecimento de uma das maiores vergonhas da política brasileira. Ledo engano. O que pude assistir foi aquela sensação de reportagem chapa-branca da Tv globo e que o intuito da entrevistada era exclusivamente vender e anunciar o lançamento de seu livro.
         Em seu discurso nada do que ela disse foi realmente importante para desvendar assuntos controversos que ocorriam em Brasília e na famosa casa da Dinda.  Ela estava mais preocupada em aparecer e falar sobre o seu livro do que outra coisa. Nada foi dito sobre a misteriosa morte de PC Farias, sua esposa e de seu cunhado. A sra. Rosane não trouxe nenhuma novidade que pudesse contribuir com novas investigações sobre o período em que seu ex-marido esteve como presidente de nosso país. Como ela poderia denunciar alguma coisa se a mesma foi cumplíce de toda a corrupção que aconteceu?
        O que vimos em cadeia nacional foi uma mulher que aproveitou a mídia global a seu favor para pedir descaradamente seus direitos de pensão. De uma coisa podemos ter certeza. Não existem inocentes nesta história trágica que abalou nosso país a mais de 20 anos. Quantos trabalhadores perderam dinheiro e tiveram seus bens confiscados e que nunca mais terão seus direitos assistidos.Com esse modelo político onde o coronelismo ainda impera e decide quem ganha em nosso país, continuaremos a assistir esses políticos corruptos retornando ao congresso e se reelegendo continuamente. Enquanto não houver uma reforma política no Brasil e que de fato privilegie a democracia e não a aristocracia política de nossa nação, o que veremos são essas manobras midiáticas para entenebrecer os olhos e a mente dos incautos com discursos fascistas e com uma ideologia demagoga.
        A única coisa nova nesta "reportagem" foi vê-la dizendo que agora se converteu ao evangelho. Só o tempo dirá se de fato ela nasceu de novo. Provavelmente ela deve estar dando testemunhos nas igrejas e lotando algumas comunidades de fé com sues testemunhos. Não se assustem se em breve ela se tornar pastora. Espero que neste ano eleitoral os evangélicos teram maturidade em saber escolher os próximos governantes que terão a responsabilidade de elaborarem leis que possam beneficiar os cidadãos e não segmentos específicos ou guetos sociais. Que Deus tenha misericórida de nós.

Marco Carvalho

4 de julho de 2012

(In)Certezas num mundo sem Deus

   

         O mundo em que vivemos parece estar de pernas para o ar. Tantas coisas acontecendo ao nosso redor que sequer paramos para sentar com nossas famílias para desfrutarmos das refeições diárias que fazemos. O que deveria ser um momento de comunhão e partilha entre a família, muitas vezes se torna um ritual vazio e mecânico de saciar o desejo da fome e nada mais. As conversas realizadas na sala ou na mesa de jantar praticamente estão extintas dos lares. O que se vê nos novos modelos familiares é o retrato de nossa sociedade contemporânea. Observamos pessoas cada vez mais individualistas, egocêntricas, solitárias e vivendo para seu próprio deleite em detrimento da coletividade.
         Os momentos de refeições nos lares viraram reuniões para satisfazer a fome. Não se percebe mais o aroma do café, as cores das frutas, o sorriso dos filhos, o abraço dos pais, o beijo dos avós e a benção de Deus de sentar-se para comer. Entendo que muitas famílias em nosso país não podem usufruir desta dádiva, não por causa dos seus pecados, mas devido as perversidades dos homens em institucionalizar a iniquidade em nosso país com o intuito de angariar votos nas eleições. O que precisamos celebrar nas refeições não é propriamente a comida que podemos ter ou não ter, porém, a beleza de vivenciarmos uma espiritualidade sadia com o simples acordar e agradecer pela graça de Deus de olharmos para nossa família e termos a convicção de que dias melhores virão.
        Nos evangelhos encontramos Jesus em muitos relatos sentado a mesa comendo e bebendo com as pessoas, a tal ponto dele ser chamado de comilão e beberrão por seus opositores. Encontramos em Jesus um belo exemplo de como devemos vivenciar nossos encontros de refeição em nosso lar. Nesses encontros de comensalidade podemos nos surpreender com os gestos singelos e ao mesmo tempo espirituais que Jesus dava no simples ato de comer. Comer era uma celebração de vida e comunhão na cultura judaica. Precisamos resgatar este mesmo sentimento em nossas alimentações diárias que realizamos, se quisermos de fato mergulharmos na intimidade do outro e conhecê-lo de verdade. Quantos lares hoje em dia em que as pessoas parecem estranhas uma das outras mesmo morando na mesma casa?
       A tecnologia ao invés de aproximar as pessoas num relacionamento mais íntimo, ela tem proporcionado o sentido inverso. Cada dia que passa, os relacionamentos estão ficando frios, superficiais e sem significado. As famílias almoçam e jantam em cômodos separados e cada qual em silêncio e ocupados com seus afazeres sem importar-se com o outro. A falta de diálogo em família é um grande dificultador na solução de problemas que poderiam ser evitados se houvesse relacionamento dentro de casa.
        A sociedade pós-moderna com seu relativismo tem gerado lares distanciados das coisas simples da vida e contribuído para difundir aquilo que de pior existe no ser humano que é a indiferença. Tem nos faltado sensibilidade com a vida e temos nos tornado mecânicos nos relacionamentos e não buscamos o aprofundamento nos diálogos, pois, tal coisa implica em abrir-me em direção ao outro e estar disposto a desconstruir mitos e mecanismos de defesa que minha mente cria consciente ou não para evitar que minhas fragilidades sejam descobertas e assim me mostre fraco. Numa sociedade capitalista e consumista como a nossa, mostrar-se fraco e dependente é cometer suicídio e ser considerado um excluído social.
       Entretanto a proposta do evangelho é uma resposta contrária a essa lógica predatória e iníqua que tem gerado mazelas sociais, emocionais, existenciais e espirituais em todas as esferas da sociedade. No texto de filipenses 2:5-11, encontramos um dos relatos mais sublimes do redentor em revelar-se como um de nós e de estar sujeito a todas as contradições humanas com seus paradoxos e perplexidades. Verdadeiramente, podemos afirmar que Ele sabe o que é ser um de nós. Estar limitado a tempo e espaço, a dor, ao sofrimento, ao choro, a alegria, as lágrimas e a morte. Sim! Ele morreu e experimentou aquilo que mais nos amedronta e para o qual não fomos destinados a conhecer. Que possamos agir com uma mentalidade cristã e apresentarmos um caminho seguro neste mundo cheio de incertezas.

Marco Carvalho

27 de junho de 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO

         No ano de 2011 no mês de junho nasceu um destes sonhos em meio as crises existenciais que todos em algum momento atravessam.O sonho que tive e virou realidade foi a concretização deste singelo blog cristão que tem por objetivo anunciar as boas vindas do Reino, denunciar os abusos eclesiásticos e servir de reflexão sobre diversos assuntos em nossa sociedade. Gostaria de agradecer a todos e todas que tem contribuído na construção deste blog e consequentemente a continuação deste sonho que tornou-se real na minha vida e de minha família.
        Agradeço a Deus pela vida de minha esposa por sua paciência, carinho, dedicação e incentivo nos momentos difíceis em continuar em prosseguir a escrever mesmo quando o tempo, o cansaço, a falta de idéias teimavam em tomar conta de mim. A paz para todos.
          Em virtude deste 1º aninho de vida, gostaria de realizar uma série de textos sobre Teologia, Academia e História nos próximos dias e contar com as contribuições dos meus amigos do blog com seus comentários sempre oportunos e enriquecedores e para crescermos juntos na fé, esperança e no amor de Cristo Jesus, o autor e consumador de nossa fé. Um abraço para todos vocês.

Marco Carvalho

20 de junho de 2012

OUVIR O MUNDO, É RETIRAR OS RUÍDOS

 
        A pós-modernidade tem gerado uma espécie de cristianismo relativista no que tange aos valores morais e éticos. A mensagem profética proferida pelos profetas do antigo testamento, por Jesus e seus apóstolos está em desuso nas igrejas. A busca pelo mágico e por soluções pragmáticas para lidar com as agruras da vida tem formado cristãos mimados e egocêntricos no exercício de sua espiritualidade. E infelizmente quem tem contribuído para fomentar esse sentimento, são os líderes que deveriam esmerar-se em ensinar todo o desígnio de Deus ao rebanho de Cristo. O evangelicalismo brasileiro está agonizando e prestes a ruir tamanha mediocridade e falta de conhecimento bíblico-teológico dos pastores(as) que deveriam preocupar-se em estudar a palavra e dar um alimento saudável ao povo. 
            Porém, o que se vê no meio evangélico hoje é um poder que não vem do alto, mas, da politicagem, dos esquemas escusos e das negociatas ilícitas em nome de "Deus". Os protestantes não estão protestando mais, estamos nos amoldando a hierarquização e voltando a mentalidade medieval papal nos nossos discursos. Através da manipulação das palavras temos visto o que se tem de pior no meio evangélico brasileiro que é o fascismo disfarçado de piedade e moral ilibada. Vemos ajuntamentos entre pentecostais, tradicionais, neopentecostais, espíritas e umbandistas "milagrosamente" juntos em luta da família e dos bons costumes.
          Na verdade, não conseguimos dialogar com as minorias(homossexuais, ateus, espíritas, prostitutas, etc) e por isso queremos impor nossos valores aos mais fracos na marra. Se não compreendermos que o evangelho deve atingir os corações (desejo/vontade) para então mudarmos sua mentes (cosmovisão) através da mensagem do evangelho, nunca conseguiremos subverter este mundo caído e com marcas nebulosas do efeito noético do pecado. 
           O discurso de alguns líderes evangélicos é praticamente impossível de serem ouvidos pela sociedade contemporânea tamanha falta ética e princípios de respeito a dignidade humana. O falecido Pastor John Stott escreveu um livro chamado "Ouça o Espírito, ouça o mundo" que acredito que os cristãos brasileiros precisam ler se fato quisermos criar um ambiente dialogal entre nós e a sociedade. Enquanto mantivermos ojeriza às pessoas em detrimento de uma pseudo-moral cristã, só iremos construir pontes ao invés de muros com o mundo.
          O apóstolo Paulo é um grande exemplo para nós cristãos comprometidos com as escrituras e com um evangelho integral e transformador de vidas. Ele conseguia transitar em todas as esferas da sociedade. No capítulo 17 de atos vemos isto de maneira bem clara quando identificamos três contextos sociais distintos, porém, todos eles precisando ouvir a palavra de Deus. 
        Encontramos Paulo com os filósofos gregos (academia) (Ali se debatia sobre, política, filosofia, valores, ética, etc); logo em seguida vemos o mesmo Paulo transitando para a praça (pessoas comuns, problemas reais, crises existenciais, cotidiano, etc) e depois o encontramos na sinagoga (Religião). (choque de cosmovisões, dominação, poder, etc.). Paulo soube chegar e sair de todos esses ambientes deixando a semente da palavra em cada ocasião. Que aprendamos com Paulo a sermos sábios e prudentes no contato com as diversas realidades que nos assolam. Amém.

Marco Carvalho


8 de junho de 2012

Em busca da solidariedade


        
         Estamos vivendo um colapso emocional na sociedade contemporânea. A falta de amor ao próximo e a si próprio tem caracterizado homens e mulheres na pós-modernidade. A busca por realização pessoal, a secularização do Estado, a alienação religiosa, o individualismo em detrimento do coletivo tem gerado pessoas insensíveis a dor alheia e indiferentes umas com as outras.
       O que espanta-me nisto tudo é quando a igreja de Cristo se apossa desta mesma lógica em seus discursos religiosos para obterem algum lucro ou coisa parecida. Digo isto, pois recentemente o pastor Silas Malafaia inventou um tal desafio aos seus críticos e blogueiros que em seus escritos tem questionado suas posições teológicas sobre a Teologia da prosperidade. E para tal desafio, Silas pregou no texto de 2 Co 9:8-10 para fundamentar sua tese sobre a prosperidade divina e mostrar aos seus opositores onde estaria o erro bíblico dele.
        Se realmente ele quisesse fazer um desafio sobre tal assunto, porque não abriu um espaço democrático em seu programa para aqueles que discordam de suas posições pudessem expor suas ideias sobre o referido tema? Entretanto, o que assistimos foi alguém reverberando uma interpretação distorcida do texto paulino sobre uma das passagens mais significativas da solidariedade humana. O que nos foi revelado em sua mensagem é o que há de pior na relação do homem com Deus, que é a barganha.
     Em seu discurso, Silas reproduz o lógica neoliberal e capitalista que permeia as relações desta sociedade. Para compreendermos o texto em sua amplitude, precisamos analisar o capítulo 8 de 2ª Coríntios que é o pano de fundo para entendermos o que o apóstolo Paulo quis ensinar aquela igreja que tinha como marca a individualidade, a soberba e o egoísmo (1ª Co 1:10-11). Foi lamentável ouvir alguém que tem por vocação e chamado ensinar todo o conselho de Deus ter prestado um desserviço a hermenêutica bíblica e principalmente ao bom senso.
       Desde o nosso início na vida cristã, ouvimos sobre a graça como um favor imerecido de Deus para com suas criaturas. É algo que recebemos não por nossos méritos ou capacidade em lidar com o sagrado. Por esta razão a graça é de graça, pois, senão for assim não é evangelho. Infelizmente, este conceito está cada vez mais escasso das mensagens bíblicas. Contudo, a graça em em meio ao sofrimento não é uma ideia agradável no pensamento cristão moderno.
       Em tempos onde a ganância e a busca pelo poder tem se manifestado cada vez mais no seio das igrejas, se faz necessário entendermos a contribuição efetuada pelos cristãos sirvam como uma expressão solidária e humanitária para aqueles que padecem fome, miséria e outras necessidade existenciais que foram supridas pela Graça de Deus na vida daqueles servos(as) do Senhor. Amém.
Marco Carvalho


1 de junho de 2012

O desafio nosso de cada dia


“Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma”? (Mateus 16:24-26)
            São com estes versículos que iremos caminhar nas palavras do nosso mestre que sempre tinha algo importante a nos dizer, mesmo quando sua fala era mais dura. Em tempos onde o individualismo tem sido a grande marca da contemporaneidade, Cristo diz algo que vai contra nosso ego quando nos desafia a abnegação como fator sublime aos que adentram ao Reino de Deus.
            É interessante notarmos que seguir a Cristo, é muito mais do que um simples levantar de mãos, ir à frente durante um apelo ou algo semelhante. É trilhar por um caminho sem volta e estar aberto para novas possibilidades de existir e de ter sua essência transformada pelo Espírito Santo de Deus.
            Em nosso andar diário homens e mulheres são chamados a renunciarem seu egoísmo em prol do Reino de Deus. Na lógica do Reino, aquele que perde sua vida por amor a Cristo, encontra-se e nunca mais se perde. Ainda que possamos trilhar por curvas sinuosas e cheias de perigos, temos a confiança de que Ele não nos deixa pelo caminho.
            A salvação é muito mais que meramente sairmos ilesos do fogo ardente do inferno como comumente se imagina. Este pensamento medievalista que amedronta ao invés de gerar em nós a shalom de Deus, não pode ser considerado evangelho. Vivemos dias difíceis nesta sociedade cada vez mais doente e violenta.
            Na reflexão do sociólogo Zygmunt Bauman lemos: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar”. Daí podemos observar que o mundo vive constantes mudanças que tem levado diversas pessoas à solidão, ao estresse, síndrome do pânico e tantas outras mazelas que esta sociedade tem produzido com seu lixo biopsicosócioespiritual. Esta mesma sociedade que cria suas mazelas é a mesma que precisa mantê-la refém de si mesma para obter adeptos dos psicotrópicos que faturam bilhões com as doenças que ela cria.
            Porém, a proposta de Jesus nos evangelhos é a do despojamento do ser e do encontro com a vida. Entenda que esta vida não é algo subjetivo e alienante, mas um encontro com uma pessoa. João no seu evangelho compreendeu perfeitamente isto quando escreveu estas palavras de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”.
            Em um mundo cada dia mais complexo, somos levados a ressignificarmos nossa jornada de fé ao lado de Jesus e de seguirmos o caminho da renúncia, não como um fardo e jugo pesado, mas como aqueles que receberam à vida em nossos corações e mentes para demonstrarmos que vale a pena caminhar apesar das intempéries desta vida.
Marco Carvalho