28 de fevereiro de 2012

Tratando minha frieza espiritual - parte 2

O resultado é só angustia e sofrimento. “Por que estás abatida, ó minha alma?” significa literalmente: “Por que estás prostrado ao chão?” O quadro aqui é de um homem esmagado por um fardo pesado, quase insuportável.
            Em tempos de crise e frieza é sempre bom lembrar-se de coisas positivas do passado. “Lembro-me destas coisas – e dentro de mim se me derrama a alma – de como passava eu com a multidão de povo e os guiava em procissão à Casa de Deus, entre gritos de alegria e louvor, multidão em festa” (v. 4). Lembrar dos momentos de superação que você viveu. Tantas vitórias que você alcançou.
            Em tempos de crise e frieza é sempre bom lembrar-se da fidelidade de Deus e ver o futuro na perspectiva de Deus. O salmista diz pra si mesmo: “Pare de ser depressivo e comece a esperar em Deus!” Só Deus pode nos ajudar a vivermos na perspectiva dEle. Lembrando e crendo que em qualquer momento Deus é fiel, ai a esperança se renova em nossa alma.
 1) Deus vai satisfazer os desejos de sua alma – e da sua também (42:1, 2);
2) Deus estará com ele – e está com você (42:5); 
3) Deus continuará amando o salmista – e te ama de forma incondicional (42:8) e
 “E esta é razão porque nunca desfalecemos ainda que por todos os lados rodeados de obstáculos, mas nunca embaraçados; confundidos, mas nunca desanimados; perseguidos, mas nunca desamparados; derrubados, mas nunca vencidos..., pois se na realidade exteriormente nosso corpo físico vai se desgastando, interiormente nota-se dia a dia uma renovação de vigor e de vida” (2 Co 4.7-9,16).
 Marco Antônio


27 de fevereiro de 2012

Tratando minha frieza espiritual - parte 1



Sempre ocorre em nossas vidas períodos muito difíceis, afinal somos humanos. Todos os cristãos passam por “dias maus”. Ninguém desperta numa manhã em sua vida e se vê frio espiritualmente. Há sempre uma progressão – ou melhor, acontece na realidade uma regressão, visto que esfriamento, no caso, é algo negativo. A alma fica abatida por diversos motivos. Faz parte da vida. Há períodos que estamos prontos a derrotar “450 profetas de Baal” e no outro dia estamos escondidos na "caverna existencial" com medo de viver. A vida cristã tem seus altos e baixos. Um dia pode ser de flores e outro de espinhos. Afinal, já disse o Mestre: “No mundo tereis aflições”. Percebe? É uma promessa de Deus para seus santos. NÃO É OPCIONAL. Um dia, cedo ou tarde, passamos por aflições e elas são, muitas vezes, a razão de abatimento espiritual. Não estou falando aqui de apostasia, e sim, de “esfriamento espiritual”, a perda do “primeiro amor” que acomete com qualquer servo de Deus.
O desejo do meu coração é que vocês entendam que existe uma grande diferença entre passar por um esfriamento espiritual e permanecer espiritualmente frios. Todos nós em algum momento da nossa caminhada de vida cristã iremos passar por conflitos e crises existenciais sobre nossa fé. Teremos desejo de desistir de continuar. Mais o Espírito Santo deseja que através da meditação dos salmos 42 e 43 possamos permanecer firmes diante das adversidades que a vida nos proporciona. Amém.
   


QUANDO DEUS NOS DÁ UMA NOVA OPORTUNIDADE - continuação

Meditação em Lucas 13:6-9
I- DEUS NOS DÁ UMA NOVA OPORTUNIDADE PARA NÃO O DECEPCIONARMOS
            A natureza daquela árvore é de dar muitos frutos, e o dono da terra não queria nada além do possível. Ele conhecia a capacidade daquela árvore e sabia bem o que ela podia produzir.
            A árvore estava plantada em terra fértil. Recebia tudo do dono da vinha. A quem se dá muito se exigirá. O que você tem feito com todas as bênçãos e privilégios de Deus? Quantas vezes você tem pedido e não e não tem confiado? Quantas vezes Deus tem lhe abençoado e você não tem dado nada para Ele?
            Não que Ele te abençoe querendo barganhar com você, mas espera o mínimo de nós, que façamos a sua vontade, que sejamos comprometidos, com Ele e com a sua palavra. Deus espera que o seu povo o sirva verdadeiramente, Deus espera que não o decepcionemos, e vivamos com ele e para ele, e para que isto aconteça é preciso renúncia é preciso deixar de lado coisas de nossas vidas que não o agrada.
            Aquele homem estava decepcionado com aquela figueira, pois, a muito não achava nenhum fruto nela. Será que nós temos decepcionado nosso Deus? Será que Ele tem olhado para nós e não tem visto nada? É momento de pararmos e refletirmos, o que temos dado para Deus, mediante o seu grande ato de amor, enviando seu filho para morrer por nós.

QUANDO DEUS NOS DÁ UMA NOVA OPORTUNIDADE


           Quantas vezes temos ouvido esta frase que soa: Tudo está perdido! Quantas pessoas têm se achado derrotadas e achando que sua vida não tem mais jeito? Quantos dariam tudo por uma segunda chance? Hoje você pode ter uma oportunidade que vai mudar definitivamente a sua vida. O dono da vinha tem muita paciência com esta FIGUEIRA. Ele diz: Já faz três anos que venha procurar fruto nesta figueira e não acho. Devemos entender alguma coisa sobre a criação duma figueira se quisermos entender esta reação do dono.
            Fiz uma pesquisa e descobri o seguinte: uma figueira podia dar frutos depois de três anos. Em Levítico 19,23 encontra-se uma lei que diz que durante três anos não se podia comer os frutos duma árvore frutífera. No quarto ano os frutos eram santos, pois deviam ser dados ao templo. No quinto ano o dono podia comer os frutos.
            O dono verificou a árvore já durante três anos e não encontrou nenhum fruto. A árvore era bastante adulta, assim que ele podia esperar frutos. Mas a esperança do dono diminuiu durante os três anos e agora dá a ordem de cortar esta árvore. Mas o rapaz que cuida das árvores ainda tem esperança. Ele reage, dizendo: “Senhor, deixe-a por mais um ano, e eu cavarei ao redor dela e a adubarei. Se der fruto no ano que vem, muito bem! Se não, corte-a”.
            Esta é a história da FIGUEIRA SEM FRUTOS. E com certeza os ouvintes reconheceram esta história. E com certeza eles sabiam que Jesus queria lhes dar uma mensagem. Ele não estava fazendo uma palestra sobre a criação de figueiras. Ele contou esta parábola com um motivo. É preciso um novo tempo, próprio para avaliar nossa vida, corrigir os rumos, uma nova chance para começar de novo. Shalom!

29 de novembro de 2011

O culto que Deus recebe



          Ao olharmos atentamente para a realidade da igreja brasileira no que diz respeito aos cultos, temo em ficarmos preocupados com o que tenho visto. A impressão que tenho é que os nossos cultos, liturgia e adoração estão cada vez mais centrados no homem do que em Deus. Basta darmos uma olhada nas letras das músicas que são os grandes “hits” do momento que podemos confirmar isto sem muito esforço.
         Foi-se o tempo onde nas comunidades de fé as pessoas se reuniam para adorar ao Senhor com o coração grato a Deus por ter sido salvo e ter tido sua vida transformada por Jesus. Nossos cultos deixaram de ser cultos para se tornarem “celebrações”, nossas liturgias se transformaram em “ministrações” e nossa adoração se tornou show. Obviamente que nem tudo o que temos por aí é desprovido de qualidade e espiritualidade sadia, porém, em muitos lugares chamados de igreja parece que temos perdido o real significado de nos reunirmos em gratidão ao Deus triúno.
         A idéia predominante na mentalidade cristã atual é que só adoramos na igreja e só com música ou danças. Esquecemos-nos que tudo o fazemos é para a glória de Deus e que devemos exercitar o nosso culto antes de chegarmos na congregação. O verdadeiro culto tem o seu início com renovação de nossa mente e com um coração contrito diante daquele que nos chamou para sua maravilhosa graça. Entretanto, o que se vê hoje é justamente o contrário. O centro da adoração são as minhas aspirações e desejos nem sempre comprometidos com o Deus da Palavra, mas sim, voltados para outro deus que crio conforme minhas necessidades.
         Neste novo “culto” a pregação fica em segundo plano, pois na verdade não estamos muito interessados em crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus, mais sim tomarmos alguns analgésicos espirituais que possam aplacar a ira divina com meus serviços religiosos prestados. A nossa inquietude é tamanha que não conseguimos sequer fazermos uma oração contemplativa ou silenciosa porque precisamos do barulho para sentir um arrepio na alma.
      Infelizmente por não conhecermos e prosseguirmos em conhecer o nosso Deus, acabamos paganizando nossas liturgias, adoração e culto em nossas reuniões cristãs. Quando tiramos Deus do centro do culto automaticamente o substituímos por algum ídolo ainda que inconscientemente. A impressão que tenho é que o povo precisa ser usado como objeto de manipulação nas igrejas para que o mesmo viva sempre atrás de algo a mais e que nunca encontram porque estão lançando seus fundamentos na lama e não na rocha eterna que é o próprio Cristo.
        Por mais dura que seja estas observações, é o que tem acontecido no evangelicalismo brasileiro. Porém, ainda há esperança, pois sempre haverá um remanescente fiel as escrituras e que com corações desejosos em adorar e servir o Deus eterno em sua integralidade. Que possamos voltar aos cultos simples e ao evangelho puro e transformador do Mestre do amor.
 Marco Carvalho
                                                                            


21 de novembro de 2011

E a consciência negra....

 
          Ontem foi o dia da consciência negra para quem não sabe. Ainda que muitos cristãos evangélicos não dêem muita atenção para este dia, ele representa um marco histórico que precisa todo ano ser lembrado em nossas orações e mensagens sempre que possível.
       Contando um pouco de história, esta data ficou estabelecida pelo projeto de lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. O dia 20 de novembro não foi escolhido a esmo. Nesta data no ano de 1695, morreu Zumbi, líder do quilombo dos Palmares. Uma homenagem mais do que justa, pois este personagem representou a luta do negro contra a escravidão no período do Brasil colonial. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e de certa forma a expressividade da cultura africana aqui no Brasil.
      Em dias em que os “evangélicos” brigam no congresso para criarem o dia do evangélico, os mesmos deveriam promover em suas comunidades de fé um espaço para reflexão e debate contra qualquer tipo de preconceito. Seja ele racial, social, religioso ou de gênero. Lembremo-nos de que em Cristo não há muros que nos separam e sim pontes que servem de travessia ao encontro do outro.  Como disse o apóstolo Pedro: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz; (1 Pe 2:9). Vemos aqui o sacerdócio universal dos cristãos. Não há na lógica do novo testamento Clero e Leigo; Negros e Brancos; homens e mulheres; pobres e ricos, somos todos iguais diante de Deus. Diferentes em etnia ou papéis que desempenhamos mais dignos diante do Cristo.
         Assim como Zumbi foi para Palmares e pelo direito da liberdade dos negros, que nós cristãos possamos lutar contra as desigualdades e injustiças deste mundo tenebroso. Se analisarmos atentamente, veremos que existem muitos quilombos que precisam de novos Zumbis com voz profética e resistam contra aqueles que tentam silenciar a voz da liberdade. Que Deus nos abençoe.

Marco Carvalho

11 de novembro de 2011

Rompendo com as dificuldades da Vida - Parte 1


       
        Na caminhada cristã iremos encontrar vários percalços circunstanciais que nos levarão a pensar em desistir. Em algum momento da existência às coisas não irão tão bem o quanto imaginamos. Todos nós passamos por “dias maus”. O que nos leva a esfriarmos na fé a tal ponto de pensarmos em desistir da jornada? Muitos são os motivos que poderíamos listar. Contudo, penso que o principal motivo seja a falta de uma compreensão mais profunda de quem Deus é. A vida cristã tem seus altos e baixo é verdade, mas quando perdermos ou deixamos obscurecer o nosso entendimento sobre quem é Deus através da iluminação do Espírito Santo, tudo fica mais complicado. O ponto aqui não é um abandono da fé, mas um esfriamento espiritual que abala todo cristão por mais fervoroso que seja.
         Existe no ser humano um vazio existencial que precisa ser preenchido seja através da religião o não. Não pensem que o ateísmo também não seja uma forma de preencher este vazio, através da razão, da ciência e do naturalismo filosófico. No salmo 42 encontramos um homem sedento por Deus e carente de significado. O texto tem um sentido de desespero por uma resposta imediata. Porém, não qualquer resposta, mas algo que preencha o vazio que o aflige. A sua alma estava angustiada num deserto de incertezas e contradições. Quantas vezes não nos sentimos assim?
O salmista abre o seu coração diante de Deus e fala abertamente o quem atormentado sua alma. “As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite”. É muito provável que o salmista estivesse longe de Jerusalém. E estar longe de Jerusalém é o mesmo que estar longe da presença do Senhor. Jerusalém representava toda a segurança e arcabouços necessários para a fé do salmista. Quando perdemos nossa identidade ficamos desesperados porque sentimos uma sensação de falta de pertença e de identificação. Possivelmente era assim que se encontrava o salmista diante daquela situação tão terrível.    
Em tempos de crise e frieza é sempre bom lembrar-se da fidelidade de Deus e ver o futuro na perspectiva do Senhor. Precisamos fazer um exame do nosso coração diariamente. A nossa satisfação e deleite deve estar em Cristo e em mais nada. Ele nos é suficiente. Por isso é tão urgente nos dias atuais resgatarmos com clareza quem é Deus e o significado de sua obra redentora para evitarmos cair nas armadilhas do relativismo e da subjetividade cristã contemporânea.
Marco Carvalho

31 de outubro de 2011

Mulheres incríveis da reforma


     Com demasiada frequência, os livros didáticos se concentram exclusivamente nos homens da Reforma – Lutero, Calvino, Cranmer, e outros – e deixam de notar as mulheres fiéis que serviram entre, ao lado e com os reformadores.
    Estas mulheres foram dedicadas ao evangelho de Jesus Cristo, algumas ao ponto do martírio. Muitas dessas mulheres eram bem-educadas, especialmente pelo padrão de seu tempo. Elas liam livros de teologia, especialmente a Bíblia, e qualquer coisa dos reformadores que podiam ter em suas mãos. Seus círculos de amigos faziam parte de longos e frequentes estudos bíblicos. Eram esposas e mães em sua maioria. Algumas também foram autoras, apologistas, ex-freiras e rainhas. Todas eram servas fiéis de Jesus.

ALEMANHA

Katherine von Bora era uma ex-freira que se casou com Martinho Lutero. Eles foram casados ​​por 21 anos e tiveram seis filhos. Sua rápida língua, humor e teimosia equiparavam-se aos de Martinho – não é pouca coisa. Ela administrava casa deles (que era frequentemente cheia de estudantes), tinha um grande jardim e gado, pescava e cultivava, e manteve uma cervejaria. Ela também administrava o dinheiro deles e cuidava das famílias estendidas deles. Martinho a chamava de “Minha Senhora Katie.” (Leia mais sobre ela aqui)
Katharina Schutz Zell foi casada com Matthew Zell de Estrasburgo e ministrava em parceria com seu marido. Ela desenvolveu ministérios de mulheres e publicou um livro de Salmos para as mulheres cantarem. Ela teve um papel de liderança na organização de auxílio para 150 homens exilados de sua cidade por sua fé, e escreveu encorajamentos bíblicos para as esposas e as crianças deixadas para trás. Durante a Guerra dos Camponeses, ela organizou Estrasburgo para lidar com 3.000 refugiados por um período de seis meses.
Ursula von Münsterberg (1491?  – 1534) foi a neta do rei George Podiebrad da Boêmia. Ursula era uma freira em um convento em Freiberg, Saxônia. Ela liderou um esforço para trazer para o convento um capelão que estava familiarizado com Lutero e tinha livros contrabandeados de Lutero. Devido a isso, ela foi forçada a fugir do seu convento em 1529, sendo que depois que ela permaneceu com a família de Lutero.
Argula von Grumbach era uma nobre da Baviera, que vigorosamente desafiava a aptidão da Universidade de Ingolstadt para debater seus pontos de vista reformados. Suas cartas foram amplamente divulgadas.
Anna Rhegius nasceu em Augsburg em 1505. Ela tinha uma boa educação, que incluiu o estudo do hebraico, permitindo-lhe discutir escritos bíblicos em grande profundidade.
Elisabeth von Braunschweig casou-se aos 15 anos. Depois de ter sido casada por 10 anos, sua mãe Elisabeth a visitou e convidou um pastor luterano para pregar. Dentro de um ano, Elisabeth se converteu e resolveu criar seu filho como um luterano. Após a morte de seu marido, ela escreveu um livro tentando consolar viúvas, ajudando-as através do processo de luto.
Elisabeth Cruciger era de Pomerânia e passou um tempo no convento em Treptow em Rega. Ela deixou o convento em 1522 ou 1523 e se casou com Caspar Cruciger em 1524, evento que marcou o primeiro do casamento protestante oficial. Uma amiga de Katherine Lutero, Elisabeth estava envolvida em debates teológicos nas “conversas de mesa” de Lutero e com Philip Melanchthon, que a considerava uma mulher brilhante. Ela escreveu o primeiro hino protestante em 1524, o que criou uma polêmica já que as mulheres não eram geralmente compositoras naqueles dias.

FRANÇA & PAÍSES BAIXOS

Jeanne d’Albret foi a rainha de Navarra e uma influente líder do movimento huguenote na França. Ela convidou pregadores reformados para falar em sua terra e declarou publicamente sua adesão ao calvinismo em 1560, no entanto, ela deixou claro que ela seguiu “Beza, Calvino e outros apenas na medida em que eles seguiam as Escrituras”. Ela tentou criar uma ponte entre católicos e protestantes e tentou trazer a paz quando as guerras começaram a acontecer. De fato, sendo uma protestante, ela permitiu a continuidade da missa em suas terras, recusando-se a punir os católicos que não se converteram ao protestantismo.
Ursula Jost foi uma mulher anabatista influente em Estrasburgo que escreveu um livro narrando suas visões proféticas do juízo iminente de Deus que viria sobre o povo de sua cidade.
Idelette de Bure era uma viúva com três filhos quando se casou com João Calvino. Uma das crianças deles morreu na infância e ela sofreu um aborto na outra. No processo, Calvino, que falou pouco de sua vida de casado, foi profundamente tocado. O relacionamento deles suavizou o coração dele profundamente.
Marie Dentière (c. 1495-1561) era de origem flamenga de uma família de menor nobreza. Ela fazia parte de um mosteiro agostiniano em Tournai, o qual ela abandonou mais tarde depois de abraçar os ensinamentos dos reformadores, um crime contra a igreja e o estado. Ela fugiu para Estrasburgo e casou-se com Simon Robert, que havia sido um padre, em Tournai, tornando-se sua assistente em seu objetivo de difundir a reforma para a área ao leste de Genebra. Após a morte do marido, ela se casou com Antione Froment, um seguidor do reformador William Farel. Marie escreveu um panfleto anônimo com o objetivo de convencer os genebrinos das intenções de Deus para sua cidade. Ela também falou em tavernas públicas e nas esquinas. Foi um sucesso porquanto Genebra se tornou uma república protestante. Ela também escreveu um livro contando a história da Reforma em Genebra.

INGLATERRA

Jane Grey escreveu cartas ao reformador Heinrich Bullinger aos 14 anos. Como rainha, Jane lutou contra intensos esforços de convertê-la a Roma quando tinha 16 anos. Ela resistiu a estes esforços com raciocínio teológico e ensino bíblico contra um professor de teologia com o dobro de sua idade.
Catherine Willoughby tornou-se a duquesa de Suffolk, em 1533 e era uma amiga de Jane Grey. Ela protegia o pregador-bispo Hugh Latimer, vítima de perseguição, até que as coisas se tornaram tão insuportáveis para ela que, para salvar sua vida, ela fugiu para a Holanda com seu bebê. Ela foi forçada ao exílio como uma defensora da Reforma.

ITÁLIA

Olimpia Fulvia Morata era uma estudiosa italiana nascida em Ferrera como a filha mais velha de um estudioso humanista, que, depois de ser forçado a fugir de sua cidade ao norte da Itália, palestrou sobre os ensinamentos de Calvino e Lutero. Olímpia floresceu em seus estudos, especialmente em latim e grego, exibindo erudição impecável. Ela escreveu diálogos em latim, poemas em grego e cartas tanto para estudiosos (em latim) quanto para mulheres menos escolarizadas (em italiano). Em seu “Diálogo entre Teófila e Filótima”, ela encorajou aqueles que temiam que seus enormes pecados iriam obstruir seu caminho para Deus:
Não temam… Nenhum odor dos pecadores pode ser tão mal cheiroso que sua força não possa ser quebrada e enfraquecida pelo odor mais doce que flui a partir da morte de Cristo, que só Deus pode perfumar. Portanto, busquem a Cristo.
Todas estas mulheres desejaram ver o triunfo da Reforma, e a boa notícia do evangelho superar a oposição, tanto dentro da igreja quanto fora dela. Elas serviram com paciência, coragem e perseverança. Elas não eram apenas observadoras da Reforma, mas também participantes. Além disso, cada uma delas foi  poderosamente usada por Deus para manter a integridade de Sua igreja e redimir uma humanidade caída.

http://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/10/novareforma-justin-holcomb-mulheres-incriveis-da-reforma/

Verdades sobre a Reforma que ainda precisamos resgatar



Estamos na Semana da Reforma. 31 de outubro de 1517, Wittenberg, Alemanha. Um novo tempo começava, das ânsias guardadas no cerne de corações inflamados, surge uma nova forma, Reforma. Como um abençoado eco de Wycliffe (1328-1384), cujos ossos foram queimados trinta anos depois de sua morte, e de John Huss (1373-1415), o “ganso” que profetizou sobre o “cisne”, um tempo de redescobertas começava.
Na porta da igreja do castelo de Wittenberg, 95 teses começavam a desmontar uma história de opressão teológica. A vida de Lutero era marcada por um demolidor peso de culpa e senso absurdo do pecado, até o dia em que ele se depara com Rm.1.17, onde sua mente é aberta para a verdade transformadora da justificação por graça e fé. No século XIX, a frase mais conhecida da Reforma seria popularizada: “Ecclesia reformata et semper reformanda est” (“A igreja reformada está sempre se reformando”).

Quais são as principais verdades sobre a Reforma que ainda precisamos resgatar?

I – O resgate da justificação do pecador por graça e fé
 
Questão central do Evangelho: Como podemos, míseros pecadores, ser alvos da graça de Deus? John Stott dizia que “ninguém entende o cristianismo, se não entende a palavra ‘justificado’". A justificação por graça e fé começa onde há libertação dos esquemas de merecimento: indulgências, peregrinações, penitências, ativismo eclesiástico.
Reafirmar esse princípio nos leva a desmascarar teologias que priorizam o ter em detrimento do ser. É o efeito Lutero destruindo a tirania do merecimento.

II – O resgate da autoridade normativa das Escrituras

A redescoberta do evangelho tem passagem obrigatória pela oração e estudo da Palavra. Na época de Lutero, a hermenêutica estava presa aos esquemas próprios e tendenciosos de interpretação da igreja. A reforma afirma que as Escrituras têm autoridade suprema sobre qualquer ponto de vista humano. Não somos chamados a pregar uma teologia, mas o evangelho!

Lutero dizia que “no momento em que lemos a Bíblia é quando o Diabo mais se apresenta, pois tenta nosso coração a interpretar as verdades lidas segundo nossa própria vontade, e não segundo a vontade soberana de Deus”.

É preciso redescobrir a centralidade da Palavra. Reafirmar esse princípio nos leva hoje a questionar nossa hermenêutica, a assumir uma atitude bereana (At. 17. 10, 11), uma atitude de quem pensa.

III – O resgate da igreja como comunhão dos santos

Lutero amava a igreja, não queria dividi-la, mas oferecer-lhe um caminho de cura. A igreja era governada pelo Papa, e não por Cristo. Somente o clero possuía a Bíblia, isso sem falar no acúmulo de riquezas e poder da igreja enquanto o povo sofria na miséria (isso lembra alguma coisa?). Para Lutero, a igreja é o “autêntico povo de Deus”, os líderes servem à igreja, e não podem se servir dela. Por isso Lutero reafirmou o sacerdócio geral de todos os crentes – todo cristão tem a responsabilidade de anunciar o evangelho.

Reafirmar esse princípio hoje, numa sociedade do egoísmo, do individualismo e da indiferença, é assumir um chamado ao arrependimento. Esse arrependimento abrange todos os “caciques denominacionais” que ainda exploravam o povo, até às mentalidades ingênuas que, por preguiça mental, nunca progridem na fé.

IV – O resgate da liberdade do cristão

Lutero redescobre o prazer de ser livre. Como somente Deus é livre, ele nos concede a liberdade por meio de Jesus Cristo (Jo. 8.31,32 e 36). Lutero perguntava: “para que serve a liberdade do cristão?”, ao que ele mesmo respondia: “o cristão é livre para amar”. Estamos dispostos a amar hoje?

Reafirmar esse princípio significa reavaliar todo e qualquer sistema de submissão opressiva, legalismos asfixiantes, estreitamentos neurotizantes, experiências carismáticas carentes de misericórdia, que destroem a liberdade.

V – O resgate da centralidade da cruz de Cristo

Através da libertação em Cristo, o cristão se torna “um Cristo para os outros”(Lutero), portanto, quem é cristão não pode dominar sobre os seus semelhantes, sob pretexto algum. Antes, solidariza-se com o sofredor, ajudando-o a carregar a cruz. Na cruz, o cristão vê crucificado o mundo. Dela vem a nossa vocação para estabelecer o reino de justiça, igualdade e paz. É o sinal supremo do amor de Deus.

Reafirmar esse princípio significa voltar à verdade de que não somos celebridades, mas servos. Como um cristão do passado dizia, “a vida oferece somente duas alternativas: autocrucificação com Cristo ou autodestruição sem ele”.

Somos chamados a discernir o espírito de cada época. Será que estamos dispostos a assumir o “efeito Lutero” em nossa prática teológica atual? Que a igreja seja sempre uma “igreja reformada, sempre se reformando”.
Alan Brizotti homenageando a reforma no Genizah
http://www.genizahvirtual.com/2011/10/verdades-sobre-reforma-que-ainda.html

26 de outubro de 2011

Não reduza o cristianismo a conjunto de bons conselhos

 
 
“Reduza o cristianismo a um bom conselho e ele se harmoniza perfeitamente à cultura do treinamento de vida. Pode parecer relevante, mas, na verdade, ele acaba perdido no mercado das terapias moralistas.

Quando anunciamos o cristianismo como o melhor método de aprimoramento pessoal, inclusive com depoimentos sobre o quanto estamos cada vez melhores desde que “entregamos tudo”, os não cristãos podem, com toda razão, nos questionar: “Que direito você tem de dizer que a sua [religião]* é a única fonte de felicidade, significado, experiências emocionantes e aperfeiçoamento moral?”. Jesus claramente não é a única forma eficaz para uma vida melhor ou para um eu melhor. Qualquer pessoa pode perder peso, parar de fumar, melhorar um casamento e se tornar mais agradável sem Jesus.
O que distingue o cristianismo, em sua essência, não é seu código moral, e sim sua história – a história de um Criador que, embora rejeitado por aqueles que criou à sua imagem, se inclinou para reconciliá-los consigo mesmo por meio de seu Filho. Essa não é uma história sobre o progresso do indivíduo para o céu, e sim a narrativa dos acontecimentos históricos da encarnação de Deus, da expiação, da ressurreição, da ascensão e do retorno, bem como da exploração de seu rico significado. Em sua essência, esta história é um evangelho: as boas-novas de que Deus nos reconciliou consigo mesmo em Cristo.”
*Esta palavra foi inserida por mim [Danilo Neves] pra dar sentido a frase, pois ela não constava na tradução.
Fonte: Michael Horton. Cristianismo Sem Cristo, editora Cultura Cristã, p. 86, 2010.

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