17 de julho de 2012

Nada de novo no mundo político

       No último domingo o programa jornalístico fantástico da rede globo apresentou uma reportagem "bombástica" com Rosane Collor a ex-esposa do ex-presidente Fernando Collor. Acredito que muitos como eu aguardavam revelações que pudessem contribuir para o esclarecimento de uma das maiores vergonhas da política brasileira. Ledo engano. O que pude assistir foi aquela sensação de reportagem chapa-branca da Tv globo e que o intuito da entrevistada era exclusivamente vender e anunciar o lançamento de seu livro.
         Em seu discurso nada do que ela disse foi realmente importante para desvendar assuntos controversos que ocorriam em Brasília e na famosa casa da Dinda.  Ela estava mais preocupada em aparecer e falar sobre o seu livro do que outra coisa. Nada foi dito sobre a misteriosa morte de PC Farias, sua esposa e de seu cunhado. A sra. Rosane não trouxe nenhuma novidade que pudesse contribuir com novas investigações sobre o período em que seu ex-marido esteve como presidente de nosso país. Como ela poderia denunciar alguma coisa se a mesma foi cumplíce de toda a corrupção que aconteceu?
        O que vimos em cadeia nacional foi uma mulher que aproveitou a mídia global a seu favor para pedir descaradamente seus direitos de pensão. De uma coisa podemos ter certeza. Não existem inocentes nesta história trágica que abalou nosso país a mais de 20 anos. Quantos trabalhadores perderam dinheiro e tiveram seus bens confiscados e que nunca mais terão seus direitos assistidos.Com esse modelo político onde o coronelismo ainda impera e decide quem ganha em nosso país, continuaremos a assistir esses políticos corruptos retornando ao congresso e se reelegendo continuamente. Enquanto não houver uma reforma política no Brasil e que de fato privilegie a democracia e não a aristocracia política de nossa nação, o que veremos são essas manobras midiáticas para entenebrecer os olhos e a mente dos incautos com discursos fascistas e com uma ideologia demagoga.
        A única coisa nova nesta "reportagem" foi vê-la dizendo que agora se converteu ao evangelho. Só o tempo dirá se de fato ela nasceu de novo. Provavelmente ela deve estar dando testemunhos nas igrejas e lotando algumas comunidades de fé com sues testemunhos. Não se assustem se em breve ela se tornar pastora. Espero que neste ano eleitoral os evangélicos teram maturidade em saber escolher os próximos governantes que terão a responsabilidade de elaborarem leis que possam beneficiar os cidadãos e não segmentos específicos ou guetos sociais. Que Deus tenha misericórida de nós.

Marco Carvalho

4 de julho de 2012

(In)Certezas num mundo sem Deus

   

         O mundo em que vivemos parece estar de pernas para o ar. Tantas coisas acontecendo ao nosso redor que sequer paramos para sentar com nossas famílias para desfrutarmos das refeições diárias que fazemos. O que deveria ser um momento de comunhão e partilha entre a família, muitas vezes se torna um ritual vazio e mecânico de saciar o desejo da fome e nada mais. As conversas realizadas na sala ou na mesa de jantar praticamente estão extintas dos lares. O que se vê nos novos modelos familiares é o retrato de nossa sociedade contemporânea. Observamos pessoas cada vez mais individualistas, egocêntricas, solitárias e vivendo para seu próprio deleite em detrimento da coletividade.
         Os momentos de refeições nos lares viraram reuniões para satisfazer a fome. Não se percebe mais o aroma do café, as cores das frutas, o sorriso dos filhos, o abraço dos pais, o beijo dos avós e a benção de Deus de sentar-se para comer. Entendo que muitas famílias em nosso país não podem usufruir desta dádiva, não por causa dos seus pecados, mas devido as perversidades dos homens em institucionalizar a iniquidade em nosso país com o intuito de angariar votos nas eleições. O que precisamos celebrar nas refeições não é propriamente a comida que podemos ter ou não ter, porém, a beleza de vivenciarmos uma espiritualidade sadia com o simples acordar e agradecer pela graça de Deus de olharmos para nossa família e termos a convicção de que dias melhores virão.
        Nos evangelhos encontramos Jesus em muitos relatos sentado a mesa comendo e bebendo com as pessoas, a tal ponto dele ser chamado de comilão e beberrão por seus opositores. Encontramos em Jesus um belo exemplo de como devemos vivenciar nossos encontros de refeição em nosso lar. Nesses encontros de comensalidade podemos nos surpreender com os gestos singelos e ao mesmo tempo espirituais que Jesus dava no simples ato de comer. Comer era uma celebração de vida e comunhão na cultura judaica. Precisamos resgatar este mesmo sentimento em nossas alimentações diárias que realizamos, se quisermos de fato mergulharmos na intimidade do outro e conhecê-lo de verdade. Quantos lares hoje em dia em que as pessoas parecem estranhas uma das outras mesmo morando na mesma casa?
       A tecnologia ao invés de aproximar as pessoas num relacionamento mais íntimo, ela tem proporcionado o sentido inverso. Cada dia que passa, os relacionamentos estão ficando frios, superficiais e sem significado. As famílias almoçam e jantam em cômodos separados e cada qual em silêncio e ocupados com seus afazeres sem importar-se com o outro. A falta de diálogo em família é um grande dificultador na solução de problemas que poderiam ser evitados se houvesse relacionamento dentro de casa.
        A sociedade pós-moderna com seu relativismo tem gerado lares distanciados das coisas simples da vida e contribuído para difundir aquilo que de pior existe no ser humano que é a indiferença. Tem nos faltado sensibilidade com a vida e temos nos tornado mecânicos nos relacionamentos e não buscamos o aprofundamento nos diálogos, pois, tal coisa implica em abrir-me em direção ao outro e estar disposto a desconstruir mitos e mecanismos de defesa que minha mente cria consciente ou não para evitar que minhas fragilidades sejam descobertas e assim me mostre fraco. Numa sociedade capitalista e consumista como a nossa, mostrar-se fraco e dependente é cometer suicídio e ser considerado um excluído social.
       Entretanto a proposta do evangelho é uma resposta contrária a essa lógica predatória e iníqua que tem gerado mazelas sociais, emocionais, existenciais e espirituais em todas as esferas da sociedade. No texto de filipenses 2:5-11, encontramos um dos relatos mais sublimes do redentor em revelar-se como um de nós e de estar sujeito a todas as contradições humanas com seus paradoxos e perplexidades. Verdadeiramente, podemos afirmar que Ele sabe o que é ser um de nós. Estar limitado a tempo e espaço, a dor, ao sofrimento, ao choro, a alegria, as lágrimas e a morte. Sim! Ele morreu e experimentou aquilo que mais nos amedronta e para o qual não fomos destinados a conhecer. Que possamos agir com uma mentalidade cristã e apresentarmos um caminho seguro neste mundo cheio de incertezas.

Marco Carvalho

27 de junho de 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO

         No ano de 2011 no mês de junho nasceu um destes sonhos em meio as crises existenciais que todos em algum momento atravessam.O sonho que tive e virou realidade foi a concretização deste singelo blog cristão que tem por objetivo anunciar as boas vindas do Reino, denunciar os abusos eclesiásticos e servir de reflexão sobre diversos assuntos em nossa sociedade. Gostaria de agradecer a todos e todas que tem contribuído na construção deste blog e consequentemente a continuação deste sonho que tornou-se real na minha vida e de minha família.
        Agradeço a Deus pela vida de minha esposa por sua paciência, carinho, dedicação e incentivo nos momentos difíceis em continuar em prosseguir a escrever mesmo quando o tempo, o cansaço, a falta de idéias teimavam em tomar conta de mim. A paz para todos.
          Em virtude deste 1º aninho de vida, gostaria de realizar uma série de textos sobre Teologia, Academia e História nos próximos dias e contar com as contribuições dos meus amigos do blog com seus comentários sempre oportunos e enriquecedores e para crescermos juntos na fé, esperança e no amor de Cristo Jesus, o autor e consumador de nossa fé. Um abraço para todos vocês.

Marco Carvalho

20 de junho de 2012

OUVIR O MUNDO, É RETIRAR OS RUÍDOS

 
        A pós-modernidade tem gerado uma espécie de cristianismo relativista no que tange aos valores morais e éticos. A mensagem profética proferida pelos profetas do antigo testamento, por Jesus e seus apóstolos está em desuso nas igrejas. A busca pelo mágico e por soluções pragmáticas para lidar com as agruras da vida tem formado cristãos mimados e egocêntricos no exercício de sua espiritualidade. E infelizmente quem tem contribuído para fomentar esse sentimento, são os líderes que deveriam esmerar-se em ensinar todo o desígnio de Deus ao rebanho de Cristo. O evangelicalismo brasileiro está agonizando e prestes a ruir tamanha mediocridade e falta de conhecimento bíblico-teológico dos pastores(as) que deveriam preocupar-se em estudar a palavra e dar um alimento saudável ao povo. 
            Porém, o que se vê no meio evangélico hoje é um poder que não vem do alto, mas, da politicagem, dos esquemas escusos e das negociatas ilícitas em nome de "Deus". Os protestantes não estão protestando mais, estamos nos amoldando a hierarquização e voltando a mentalidade medieval papal nos nossos discursos. Através da manipulação das palavras temos visto o que se tem de pior no meio evangélico brasileiro que é o fascismo disfarçado de piedade e moral ilibada. Vemos ajuntamentos entre pentecostais, tradicionais, neopentecostais, espíritas e umbandistas "milagrosamente" juntos em luta da família e dos bons costumes.
          Na verdade, não conseguimos dialogar com as minorias(homossexuais, ateus, espíritas, prostitutas, etc) e por isso queremos impor nossos valores aos mais fracos na marra. Se não compreendermos que o evangelho deve atingir os corações (desejo/vontade) para então mudarmos sua mentes (cosmovisão) através da mensagem do evangelho, nunca conseguiremos subverter este mundo caído e com marcas nebulosas do efeito noético do pecado. 
           O discurso de alguns líderes evangélicos é praticamente impossível de serem ouvidos pela sociedade contemporânea tamanha falta ética e princípios de respeito a dignidade humana. O falecido Pastor John Stott escreveu um livro chamado "Ouça o Espírito, ouça o mundo" que acredito que os cristãos brasileiros precisam ler se fato quisermos criar um ambiente dialogal entre nós e a sociedade. Enquanto mantivermos ojeriza às pessoas em detrimento de uma pseudo-moral cristã, só iremos construir pontes ao invés de muros com o mundo.
          O apóstolo Paulo é um grande exemplo para nós cristãos comprometidos com as escrituras e com um evangelho integral e transformador de vidas. Ele conseguia transitar em todas as esferas da sociedade. No capítulo 17 de atos vemos isto de maneira bem clara quando identificamos três contextos sociais distintos, porém, todos eles precisando ouvir a palavra de Deus. 
        Encontramos Paulo com os filósofos gregos (academia) (Ali se debatia sobre, política, filosofia, valores, ética, etc); logo em seguida vemos o mesmo Paulo transitando para a praça (pessoas comuns, problemas reais, crises existenciais, cotidiano, etc) e depois o encontramos na sinagoga (Religião). (choque de cosmovisões, dominação, poder, etc.). Paulo soube chegar e sair de todos esses ambientes deixando a semente da palavra em cada ocasião. Que aprendamos com Paulo a sermos sábios e prudentes no contato com as diversas realidades que nos assolam. Amém.

Marco Carvalho


8 de junho de 2012

Em busca da solidariedade


        
         Estamos vivendo um colapso emocional na sociedade contemporânea. A falta de amor ao próximo e a si próprio tem caracterizado homens e mulheres na pós-modernidade. A busca por realização pessoal, a secularização do Estado, a alienação religiosa, o individualismo em detrimento do coletivo tem gerado pessoas insensíveis a dor alheia e indiferentes umas com as outras.
       O que espanta-me nisto tudo é quando a igreja de Cristo se apossa desta mesma lógica em seus discursos religiosos para obterem algum lucro ou coisa parecida. Digo isto, pois recentemente o pastor Silas Malafaia inventou um tal desafio aos seus críticos e blogueiros que em seus escritos tem questionado suas posições teológicas sobre a Teologia da prosperidade. E para tal desafio, Silas pregou no texto de 2 Co 9:8-10 para fundamentar sua tese sobre a prosperidade divina e mostrar aos seus opositores onde estaria o erro bíblico dele.
        Se realmente ele quisesse fazer um desafio sobre tal assunto, porque não abriu um espaço democrático em seu programa para aqueles que discordam de suas posições pudessem expor suas ideias sobre o referido tema? Entretanto, o que assistimos foi alguém reverberando uma interpretação distorcida do texto paulino sobre uma das passagens mais significativas da solidariedade humana. O que nos foi revelado em sua mensagem é o que há de pior na relação do homem com Deus, que é a barganha.
     Em seu discurso, Silas reproduz o lógica neoliberal e capitalista que permeia as relações desta sociedade. Para compreendermos o texto em sua amplitude, precisamos analisar o capítulo 8 de 2ª Coríntios que é o pano de fundo para entendermos o que o apóstolo Paulo quis ensinar aquela igreja que tinha como marca a individualidade, a soberba e o egoísmo (1ª Co 1:10-11). Foi lamentável ouvir alguém que tem por vocação e chamado ensinar todo o conselho de Deus ter prestado um desserviço a hermenêutica bíblica e principalmente ao bom senso.
       Desde o nosso início na vida cristã, ouvimos sobre a graça como um favor imerecido de Deus para com suas criaturas. É algo que recebemos não por nossos méritos ou capacidade em lidar com o sagrado. Por esta razão a graça é de graça, pois, senão for assim não é evangelho. Infelizmente, este conceito está cada vez mais escasso das mensagens bíblicas. Contudo, a graça em em meio ao sofrimento não é uma ideia agradável no pensamento cristão moderno.
       Em tempos onde a ganância e a busca pelo poder tem se manifestado cada vez mais no seio das igrejas, se faz necessário entendermos a contribuição efetuada pelos cristãos sirvam como uma expressão solidária e humanitária para aqueles que padecem fome, miséria e outras necessidade existenciais que foram supridas pela Graça de Deus na vida daqueles servos(as) do Senhor. Amém.
Marco Carvalho


1 de junho de 2012

O desafio nosso de cada dia


“Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma”? (Mateus 16:24-26)
            São com estes versículos que iremos caminhar nas palavras do nosso mestre que sempre tinha algo importante a nos dizer, mesmo quando sua fala era mais dura. Em tempos onde o individualismo tem sido a grande marca da contemporaneidade, Cristo diz algo que vai contra nosso ego quando nos desafia a abnegação como fator sublime aos que adentram ao Reino de Deus.
            É interessante notarmos que seguir a Cristo, é muito mais do que um simples levantar de mãos, ir à frente durante um apelo ou algo semelhante. É trilhar por um caminho sem volta e estar aberto para novas possibilidades de existir e de ter sua essência transformada pelo Espírito Santo de Deus.
            Em nosso andar diário homens e mulheres são chamados a renunciarem seu egoísmo em prol do Reino de Deus. Na lógica do Reino, aquele que perde sua vida por amor a Cristo, encontra-se e nunca mais se perde. Ainda que possamos trilhar por curvas sinuosas e cheias de perigos, temos a confiança de que Ele não nos deixa pelo caminho.
            A salvação é muito mais que meramente sairmos ilesos do fogo ardente do inferno como comumente se imagina. Este pensamento medievalista que amedronta ao invés de gerar em nós a shalom de Deus, não pode ser considerado evangelho. Vivemos dias difíceis nesta sociedade cada vez mais doente e violenta.
            Na reflexão do sociólogo Zygmunt Bauman lemos: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar”. Daí podemos observar que o mundo vive constantes mudanças que tem levado diversas pessoas à solidão, ao estresse, síndrome do pânico e tantas outras mazelas que esta sociedade tem produzido com seu lixo biopsicosócioespiritual. Esta mesma sociedade que cria suas mazelas é a mesma que precisa mantê-la refém de si mesma para obter adeptos dos psicotrópicos que faturam bilhões com as doenças que ela cria.
            Porém, a proposta de Jesus nos evangelhos é a do despojamento do ser e do encontro com a vida. Entenda que esta vida não é algo subjetivo e alienante, mas um encontro com uma pessoa. João no seu evangelho compreendeu perfeitamente isto quando escreveu estas palavras de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”.
            Em um mundo cada dia mais complexo, somos levados a ressignificarmos nossa jornada de fé ao lado de Jesus e de seguirmos o caminho da renúncia, não como um fardo e jugo pesado, mas como aqueles que receberam à vida em nossos corações e mentes para demonstrarmos que vale a pena caminhar apesar das intempéries desta vida.
Marco Carvalho

22 de maio de 2012

MARCHA CONTRA JESUS



            Neste último sábado dia 19/05 às 14:00h fomos invadidos com uma passeata de “evangélicos” que marchavam da central do Brasil até a Cinelândia que segundo os organizadores do evento tinha por objetivo defender a família tradicional, a liberdade de expressão e o direito à vida. Entretanto, a pergunta que não pulsa em meu coração e espero que no seu também, quem foi que elegeu este cidadão como nosso paladino da moralidade? Não quero ser confundido com esses crentes! Deus me livre!!! O que aconteceu nesta marcha é o mais puro retrato do evangelicalismo brasileiro, salvo algumas exceções. Um povo andando como que seduzido pelo canto das sereias (digo pastores) vão caminhando a passos largos para longe da graça de Deus.
            Gostaria de ver todo este ajuntamento de pessoas lutando contra a corrupção de nosso país, contra a violência, a fome, a desigualdade social e tantas outras mazelas de nossa sociedade contemporânea. Não acredito que se não houvesse os shows gospel e se as lutas fossem pelas razões acima, duvido que teríamos o mesmo público. Penso que temos visto as questões do aborto e do homossexualismo de forma muito reducionista, reacionária e motivada por interesses políticos escusos. Qual a diferença entre o pecado do homossexualismo para o da corrupção da chamada bancada evangélica que tem envergonhado os cristãos e dado um péssimo testemunho perante a sociedade?
            Enquanto tratarmos destes assuntos pelo viés do moralismo fascista não conseguiremos “marchar” em favor daqueles que tanto sofrem abusos pela sua sexualidade e das chacotas que ferem a alma destes que também carecem da graça e misericórdia do Senhor assim como qualquer pessoa. Infelizmente, o que temos visto pelos meios de comunicação nestas marchas, são na verdade um interesse mesquinho e sórdido que está por trás das cortinas. No livro de Isaías encontramos algumas questões que nos levam a refletir sobre esta liderança pastoral midiática que tem agido impiamente.
Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos! Dos que justificam ao ímpio por suborno, e aos justos negam a justiça! (Isaías 5:8,21,23).

Marco Carvalho

O que é o evangelho? parte 2


1.4 – O conteúdo do evangelho (v. 3 e 4)
            Precisamos compreender que a essência do evangelho é o filho de Deus. Jesus é o centro do evangelho. As nossas mensagens precisam ser cristocêntricas. Nossas canções precisam revelar a grandeza de Deus. Hoje o que vemos em muitas canções evangélicas é o homem como sendo o centro de tudo. 
            Em muitas igrejas os sermões deixaram de falar de Jesus, de sua obra, do seu sacrifício e de sua volta. Falar da volta de Jesus nas igrejas hoje não dá ibope. Falar da morte, da ressurreição de Cristo e da sua maravilhosa graça não enche igreja. As pessoas precisam ouvir o verdadeiro evangelho e não uma imitação barata que envergonha os cristãos na sociedade por causa dos falsos mestres que estão na TV ensinando um evangelho mentiroso.
            Paulo fala de duas verdades fundamentais do conteúdo do evangelho que não podemos nos esquecer. O primeiro é a encarnação. Jesus veio a este mundo em carne. A encarnação de Cristo é um dos pilares do evangelho. Quando falamos da encarnação nos lembramos da humilhação de Cristo. Num determinado tempo da história Jesus veio ao mundo e se fez carne e nos substituiu na cruz do calvário para morrer por nossos pecados. A nossa pregação precisa falar disto. Senão não é evangelho.
            A segunda coisa é que Jesus ressuscitou. No verso 4 Paulo nos mostra que O filho de Deus se manifestou primeiro com fraqueza e depois com poder. Jesus foi o filho de Deus em fraqueza e humildade na encarnação. A ressurreição de Cristo marca o fim do sofrimento do Messias e o começo do seu senhorio eterno. A nossa mensagem precisa enfatizar a ressurreição de Jesus e o seu domínio sobre toda a ordem criada.
1.5 – O ALCANCE DO EVANGELHO (V. 5)
            O evangelho de Cristo é o poder de Deus para mudar o mundo. Esta mensagem tem na pessoa de Jesus o centro de tudo. O evangelho precisa ser pregado a todas as nações, tribos, línguas e povos. Os judeus pensavam que as boas-novas da salvação eram destinadas somente para eles. Eu e você precisamos compreender que a mensagem é para toda e qualquer pessoa. Independentemente de sua posição social, etnia, crença, se faz necessário reconhecermos que o evangelho é de Deus e não nosso. Somos apenas os proclamadores desta mensagem e não detentores dela.
            Preciso dizer que o evangelho é universal em seu alcance, mas não universalista em sua aplicação. Seu propósito é salvar apenas ao que crê em Jesus como Salvador e Senhor. Esta idéia de que todos os caminhos levam a Deus e que no final todos serão salvos, à luz das Escrituras é uma falácia. Por isso Paulo foi um grande missionário e pregador itinerante das boas-novas. Por isso invista em missões. A igreja de Jesus envia, mantém e ora pelos missionários(as) que estão nos campos evangelizando.
1º A IGREJA É PROPRIEDADE EXCLUSIVA DE DEUS (v. 6)
            Esta é uma verdade que precisa ser ensinada nos nossos púlpitos. Nós somos propriedades exclusivas de Deus. Eu e você pertencemos a Cristo e a mais ninguém. Quem está com Cristo jamais se perderá. Quem foi achado por Jesus tem total segurança de sua salvação porque ela não está fundamentada na minha e muito menos na sua mão, mas nas mãos poderosas do Senhor que é sustentador do universo.
2º A IGREJA É O POVO AMADO DE DEUS (v. 7)
            Meus amados irmãos(ãs). Nós somos amados por Deus. Este amor foi demonstrado desde a criação até a nossa reconciliação com Cristo para sempre. Ninguém pode nos separar deste amor. Não fomos nós que escolhemos a Deus, mas Ele quem nos escolheu e nos chamou pelo seu amor. Foi Ele quem nos amou primeiro e não o contrário. Estamos invertendo a ordem das coisas. Parece que Deus é igual supermercado. Quando eu me enjôo troco de mercado e vou pra outro. Com Deus não é assim. Este amor de Deus pelo seu povo dura pra sempre e nada nesta terra pode separar você Dele.
3º A IGREJA É CHAMADA PARA VIVER EM SANTIDADE (v. 7a)
            É impossível termos sido alcançados pela graça de Deus e permanecermos como éramos antes. Quem tem o Espírito Santo não tem prazer de viver na prática do pecado. Não estou dizendo que o cristão não comete pecados. Eu e você pecamos e muitas vezes desagradamos ao nosso Deus, porém nos sentimos incomodados em nossa consciência de que precisamos voltar aos caminhos de Deus e vivermos de maneira digna e honrosa. A igreja é chamada do mundo, para ser separada do mundo, mesmo vivendo no mundo, para vivermos exclusivamente para Deus no mundo como sal e luz. Todos os cristãos são chamados por Deus para viverem uma vida santa e pautada na palavra de Deus.
4º A IGREJA É O POVO QUE RECEBEU GRAÇA E PAZ DE DEUS (v. 7b)
            Se você pertence à igreja do Deus vivo, você já foi abençoado “com toda a sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo”. (Ef 1:3). É importante notarmos que tanto a paz quanto a graça fazem parte da vida da igreja e consequentemente do corpo de Cristo. A graça é o favor ou presente que não merecíamos receber, mas Deus em seu infinito amor nos presenteou assim mesmo. Oferecendo-se como pecado em nosso lugar. A paz é o estado de reconciliação com Deus dos nossos pecados através da graça recebida de Jesus. A graça é a causa da salvação; a paz, o seu resultado. Amém.

Marco Carvalho

14 de maio de 2012

O que é o evangelho? parte 1

TEXTO: ROMANOS 1:1-7
            A carta aos romanos é mais que um grande tratado teológico. Esta carta foi uma das últimas cartas escritas pelo apóstolo. E sem dúvida alguma os seus pensamentos estão muito mais amadurecidos nesta carta. Esta é uma das poucas cartas de Paulo que não é endereçada a pessoas, mas a uma comunidade. Sem dúvida alguma que a carta aos Romanos é a mais importante de todas as cartas do apóstolo Paulo. Ao olharmos para a história iremos verificar o quanto que esta carta influenciou o pensamento de grandes personagens cristãos. Podemos citar: Calvino, Lutero, Agostinho, Barth, Wesley e outros.
            Temos visto que infelizmente muitos lugares chamados de “igreja de Cristo” não pregado o verdadeiro evangelho. Antes, tem se beneficiado do evangelho com falsas promessas, falsos milagres e um culto centralizado em seus líderes e não na pessoa de Cristo. A carta aos romanos antes de ser um grande tratado teológico, ela é uma defesa do evangelho da graça de Deus e também qual deve ser a sua mensagem.
            O meu objetivo nesta exposição do capítulo 1:1-7 de Romanos é nos levar a refletir sobre qual a essência do evangelho, qual a mensagem que devemos pregar nos dias de hoje e as marcas desta igreja. Será que o evangelho mudou? Está ultrapassado? Será que esta mensagem não é mais o poder de Deus para transformar o ser humano? E o que tem sido pregado pelos líderes da mídia é o evangelho de Jesus? Que possamos sair daqui com o nosso coração gratos a Deus por termos sido alcançados pela mensagem poderosa do evangelho.
1 – AS MARCAS DO VERDADEIRO EVANGELHO
            Vivemos tempos difíceis na igreja brasileira no que diz respeito à pregação. Em muitos lugares a mensagem tem sido reduzida a sermões de auto-ajuda e de palavras de efeito que seduzem nosso coração com bajulações, mas que não transforma o caráter e que não o confronta com o seu pecado. Em outro extremo vemos também muita erudição e palavras poéticas dos púlpitos, muitas citações de autores de literatura, poesia e frases de grandes sábios. Palavras que massageiam nosso ego e alimentam apenas nossa mente mais não chega à alma humana. Bem longe destes dois extremos está o apóstolo Paulo que inspirado por Deus descreve com maestria o que é o evangelho. Seis verdades cruciais precisam ser destacadas nestes versos.
1.1 – Paulo era Servo de Cristo (v. 1)
            Esta palavra servo no original grego tem a idéia de escravo. Ou seja, aquele que foi comprado por um preço e que pertence ao seu senhor e está completamente à sua disposição. Um escravo não tem liberdade para fazer o gosta. Um escravo vive para agradar ao seu Senhor e lhe obedecer. Diferentemente nos dias de hoje onde vemos muitos cristãos mandando e dando ordens a Deus dizendo eu decreto, eu mando, eu determino. Tem igrejas que dizem até quando Deus vai curar as pessoas. Vemos pela TV pastores e líderes dando a agenda dos serviços religiosos que ela tem. Tem dia para tudo na igreja. Dia da cura, da prosperidade, da família, da libertação, etc.
            Ao contrário destas novidades, Paulo é escravo de Cristo. Sendo que ele não é escravo de um ser perverso e cruel. Ele é escravo daquele que o comprou com seu sangue e que o conquistou com sua infinita graça e seu imenso amor.
1.2 – Paulo foi separado para pregar o evangelho de Deus (v. 1)
            É importante notarmos que Paulo foi separado não para anunciar qualquer evangelho, mas o evangelho de Deus. Então, nem tudo o que ouvimos por aí é o evangelho puro e simples de Jesus. Existem muitos evangelhos sendo ensinados em nossas igrejas. São mensagens de homens e não de Deus. Elas não edificam o corpo de Cristo, pelo contrário, só causam divisão, dor e mágoas. No texto podemos identificar que a fonte do evangelho não é Paulo. Ele é apenas o mensageiro da palavra. O evangelho não é do Marco, do Moisés, do bispo, do Waldomiro ou de qualquer outra pessoa. O verdadeiro evangelho é de Deus. Toda a essência da palavra vem do próprio Deus.
            Nós não temos o direito de anunciarmos outra mensagem que não seja as boas-novas. A mensagem que devemos pregar é a palavra de Deus. Há muitos “evangelhos inventados ou distorcidos pelos homens. Esses evangelhos não passam de falso evangelho. O evangelho de Cristo é o próprio Deus revelado a nós. O evangelho não é uma resposta ao homem perdido, ele é a única resposta.
1.3 – O evangelho foi algo prometido desde o Antigo Testamento (v. 2)
            Nos enganamos quando pensamos que a mensagem de Deus para salvar o perdido começou com o advento de Cristo. O texto nos diz que essa mensagem nos foi prometida pelos profetas. Quer dizer que Deus não tem um plano B porque o A deu errado. O evangelho foi concebido desde a eternidade, anunciado por Deus na história, prometido pelos profetas, prefigurado nos sacrifícios judaicos e totalmente cumprido na morte e ressurreição de Jesus. No antigo testamento estava um prenúncio do que haveria de vir. O evangelho que Paulo anuncia é aquele prometido pelos profetas do Antigo Testamento e revelado aos apóstolos no Novo Testamento.
            Ouçam o que vou lhes dizer: eu e você não somos obrigados a crer em nenhum sinal, prodígio ou maravilha contemporâneo. Entretanto, eu e você somos chamados a crer no maior milagre de todos que foi a ressurreição literal de Jesus. Este milagre nós não podemos rejeitar. O apóstolo Paulo crê na suficiência das Escrituras para revelar o conteúdo do evangelho. Paulo diferentemente de muitos pregadores modernos, não aceita outro evangelho além daquele que foi revelado na Palavra de Deus. O verdadeiro evangelho está contido apenas na Bíblia.

Marco Carvalho

6 de abril de 2012

PÁSCOA E JUDAS ISCARIOTES

         
          Estamos chegando a um dos dias do nosso calendário mais importante para a cristandade. Sim, estou me referindo à páscoa. Mas não a páscoa de mercado e do entretenimento que a cada ano tem perdido seu real significado, inclusive para muitos cristãos.  A mídia e todos os meios de comunicação têm focado nos bombons e nos ovos de chocolate que ficam com preços exorbitantes todos os anos e acirrando o mercado consumidor cada vez mais exigente na opção de compra.
            No relato do evangelho de Marcos 14:10-16 encontramos algo que pretendo destacar no atual comportamento evangélico no que diz respeito a esta data tão significativa para todos os cristãos. Neste texto vemos como Judas Iscariotes tramou a traição ao nosso Senhor. Infelizmente, o que tenho observado no comportamento daqueles que deveriam agir com verdade e amor, cada vez mais tem imitado a atitude de Judas.
            Quantos não são os cristãos que traem o nosso Salvador por um falso evangelho que não produz a libertação da opressão que tanto aflige homens e mulheres de todos os credos, etnias e aspectos sociais? Ao invés de celebrarmos o sentido verdadeiro da páscoa, embarcamos na “ética do mercado” e vendemos Jesus por preço de um escravo (30 moedas).
            Como um dos apóstolos caiu em tamanha transgressão? Acredito que o amor ao dinheiro e as riquezas que poderia alcançar fez com que ele sucumbisse. Que não sejamos rápidos em condená-lo ao inferno, afinal, ele tinha um preço. E pergunta que não pode se calar é: qual é o seu preço? Não posso responder por todos, porém as escrituras nos dão respaldo para aprendermos que o maior preço já foi pago na cruz do Calvário por Jesus. “Está consumado” disse Ele.
            Com base neste triste relato de Judas, que possamos ser humildes e servo(as) uns dos outros não considerando ninguém maior ou superior do que o outro. Ao enveredarmos pelo consumismo exacerbado em nossas igrejas, perdemos a oportunidade de compartilharmos do pão e do vinho que é a comunhão dos santos, de trazermos a memória à morte e ressurreição de Jesus ao terceiro dia e de apresentarmos uma viva e eficaz esperança numa sociedade caótica, chafurdada no individualismo e marcada pelo vazio existencial. Devemos ter em mente que Jesus foi crucificado na semana da páscoa judaica e no dia exato em que o cordeiro pascal era imolado no sacrifício. O intuito disto era anunciar para nação judaica que Jesus era o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).
            A páscoa (pessach) trazia a memória dos judeus o fim da escravidão no Egito e o início da libertação do povo na travessia do mar vermelho até a condução de Moisés à terra prometida. Entretanto, a maior redenção que a humanidade recebeu gratuitamente foi a que Jesus efetuou na cruz por nossos pecados. Shalom a todos e todas!

Marco Carvalho